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Sobre um Filme de Guerra

Publicado: março 28, 2012 por blogdapresbi em Poesia
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Apesar da guerra

as plantas reflorescem

e, indiferentes, as abelhas voejam

fabricando mel.

Os joões-de-barro

driblam os tiros

e continuam em seu fatigar

construindo seus ninhos

na perpetuação da espécie.

Formigas defendem o progresso

de suas sociedades divinamente

organizadas.

Desdenhando canhões

e rajadas de metralhadoras

cantam as cigarras… e cantam!

Os ratos e seus dentes que não cessam de crescer

roem… e roem… e roem.

Os ruminantes passivamente

ruminam e cochilam de pé.

Os capins altos ao vento

discutem e esgrimem com suas folhas

à guisa de espadas

sem, contudo se ferirem…

 

Só os homens, por serem racionais, se matam!

Francisco Ferreira

Esperança

Publicado: março 8, 2012 por blogdapresbi em Poesia
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Persisto na crença
de que a poesia ainda vive
e é o amor que faz mover
a gênese da vida,
não apenas um ato irresponsável
que origina órfãos
de incertezas.

Teimo em crer
que as flores sobreviverão
ao tempo das bestialidades
e ao ácido das impurezas
que habitam o coração do homem
gerando desertos
de insensatez.

Insisto em decifrar
um código tido como antiquado,
obsoleto, há muito abandonado.
Numa língua morta
com que se pode ainda
falar com Deus – frente a frente -:
amor, solidariedade, paz…
todos contidos num único
sistema decodificador: a FÉ!

Francisco Ferreira

Homem

Publicado: outubro 12, 2011 por blogdapresbi em Poesia
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O homem é a maior das criaturas
Porque pensa, mas também sente
O homem é o mais sublime dos ideais
Porque sonha e utiliza sua mente.
Porque ele cresce fugindo da morte
Porque ele faz a sua própria sorte
Porque ao chegar sabe a hora de partir
Porque ele chora e também sorri.
Porque ele vê para crer
Porque ele acredita sem entender
Porque não expressa os sentimentos e se fecha
Porque não guarda rancores e se abre.
Porque ideais são opiniões discordantes
Porque ele pensa no depois sem se esquecer do antes.
Porque às vezes ele procura ficar sozinho
Porque é um ser que precisa de carinho
Porque cria utopias e civilizações
Porque constrói cidades e escreve canções
Porque ele tem encantos e desencantos
Porque ele aprende através dos prantos
Porque o acerto é consequência do errar
Porque ele odeia, mas também sabe amar.
Porque razão e sentimento são palavras que se unem
Quando tudo se transforma em tristeza e alegria.
Porque os homens são iguais e ao mesmo tempo diferentes, porque
“Deus fez o homem, e os fez homem e mulher.”

Ana Paula Genaro, Fernanda Alves, Taciana Castelo Branco

Salvador

Publicado: agosto 12, 2011 por blogdapresbi em Poesia
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Olho pro verde do mar
Quando vou te adorar
Brisa põe no coração
Um novo batucar
É na levada da onda
Que eu sinto a brisa soprar
Porque de todos é o vento
De todos é o mar
Meu Deus não é pra poucos
Meu Deus é para o povo
Rico, Ele se fez pobre
Desceu e virou povo

Victor Fontana

FUTILIDADE

Publicado: julho 22, 2011 por blogdapresbi em Poesia
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Ser fútil é gastar mais dinheiro com coisas do que com pessoas
É usar meu ao invés de nosso e eu ao invés de nós
É ser vazio de significado, sentido e conteúdo
Ser fútil é sempre mandar ao invés de servir
Pois o fútil torna-se servo do mandar
Futilidade é quando nos enxergamos maiores
É quando nos omitimos em face da tristeza alheia
Ser fútil é carregar morfologicamente o útil, mas inutilizá-lo
É quere ter demais e ser de menos
É gastar mais tempo com o tempo que se vai do que com o tempo que perdura
O fútil aproveita pra tirar proveito, proveitosamente
Quer brilhar mais que o sol, todavia é vazio de calor
O fútil em tudo ganha e em tudo se perde
É cheio de si, mas vazio de outro.

Calebe Ribeiro

http://calebejv.blogspot.com/