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A Bíblia em ordem cronológica

Publicado: dezembro 24, 2011 por blogdapresbi em Livros e Cultura, Mensagens

 

Quem conhece um pouco a Bíblia sabe que ela é uma coleção de livros que contam uma única história (a relação de Deus com seu povo, ou a salvação da humanidade por Cristo). Historicamente ela se organizou em Antigo Testamento e Novo Testamento, numa ordem que fazia sentido para os compiladores lá trás (e eu não vou explicar aqui). Quando você pega uma Bíblia para ler na “ordem direta”, o que acontece é que às vezes você tem “deja vus” – a vida de Cristo é contada por 4 pessoas diferentes, o período do reino dividido de Israel e Judá também “acontece duas vezes” mesmo alguns episódios da caminhada de Moisés no deserto. E os livros de salmos e profecias? Eles foram escritos em momentos históricos também narrados na Bíblia, mas como relacionar? Mesma coisa com as cartas de Paulo – parece que ele viajou bastante em atos dos apóstolos, e depois sentou e escreveu todas aquelas epístolas de uma só vez e nós sabemos que simplesmente não foi assim.

 

Para lidar com essas inquietações, que obviamente já passou pela cabeça de muita gente, Edward Reese e Frank Klassen recortaram trecho por trecho da Bíblia e como num grande quebra-cabeça reorganizaram tudo no que eles consideram a melhor ordem cronológica possível. É outra forma de ler a Bíblia, dessa vez, linearmente (ou, às vezes, paralelamente, no caso dos relatos dos reinos de Israel e Judá).

 

A linguagem também é a Nova Versão Internacional, que gostei muito. Ela é um meio caminho entre a tradicional Ferreira de Almeida e a um pouco mais moderna NTLH – Nova Tradução da Linguagem de Hoje. Considero muito revelador variar a forma de ler a Bíblia, porque é justamente como se nós víssemos as mesas coisas com outros olhos.

 

Nesse Natal, essa é a minha dica para vocês, redescobrir a história de Cristo – o homem que mudou a história do mundo tal qual nenhum outro, o Deus que salvou o mundo como ninguém poderia fazer.

 

E para terminar, qual seria mesmo o começo de tudo, cronologicamente??

 

“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio.” (Jo 1:1-2, NVI)

 

Bom Natal!

 

 Taciana Trigo

 
 

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Y2G – Banda Oak

Publicado: novembro 17, 2011 por blogdapresbi em Livros e Cultura
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O Festival Y2G tem o objetivo de incentivar os participantes a desenvolver a parte cultural que existe dentro de cada um, este ano foram convidadas bandas independentes com composições próprias.

As músicas abaixo foram gravadas ao vivo no #Y2G2011 que aconteceu na Presbi em 15/Outubro

Banda Oak:


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Eu não errei a capa do livro. Eu li “Espiritualidade – onde, quando e como”, mas ele é tão velhinho (1997!!!!) que já foi atualizado para “Trabalho, descanso e dinheiro – uma abordagem bíbilica” (Timóteo Carriker). Segundo a editora Ultimato, é só uma roupagem nova com novas revisões e seleções de versículos. Se não mudou, ótimo, porque o livro é bem prático: direto e objetivo no assunto.

 

Como o novo título fala, ele aborda a espiritualidade desses três temas, mas começa discorrendo sobre a Criação do homem. Vou falar um pouquinho do que eu mais gostei em cada capítulo.

 

CRIAÇÃO – O autor fala sobre a criação e o que ela nos mostra da relacão de Deus com o homem e do homem com a natureza, como somos responsáveis por ela. “Hoje, invertemos isso, pensando que o mundo é objeto para nossa exploração, ao invés de sujeito conosco para a glorificação de Deus. Dominar (gn 1.28) não significa dispor como quisermos, mas “assegurar a permanência e o equilíbrio da criação”.

 

TRABALHO – Às vezes consideramos o trabalho como punição, até pelo fato de, depois do pecado, Deus falar para Adão que ele com esforço conseguirá o seu alimento. Mas isso não quer dizer que o homem tinha sido feito para ficar de papos ao ar (como alguns gostariam), mas o trabalho é valorizado ao longo de toda a Bíblia. Daí a importância de todo o trabalho – seja na Igreja ou fora dela, ser uma forma de servir ao Senhor. Seja o nosso trabalho em escritório, consultório, comércio ou qualquer outro lugar, importa fazermos pensando num propósito maior: “Como meus talentos e minha profissão podem melhor contribuir para os desígnios de Deus e a manifestação dos valores do seu domínio?”

 

DESCANSO – como Deus descansou no 7o dia, nós também descansamos (e na conjectura atual, são 2 dias em 7!) Mas esse ato tem um significado maior, e aí precisa ser levado para toda nossa vida: é uma declaração de confiança no Pai, descansar é assumir a dependência que temos dele.

 

DINHEIRO – aqui está a parte mais “polêmica” do livro, em que o conceito de dízimo é contrariado. Sim. Afinal, Jesus, nunca falou dar de dízimo (aliás, só como exemplo do legalismos dos fariseus). Paulo também não (e ele que mais falou sobre a Igreja que somos hoje, depois da salvação em Cristo). Surpreso? Eu também. Isso, porque no novo testamento, se pede muito mais – tudo que pudermos e em abundância: “Que cada um dê a sua oferta conforme resolveu em seu coração, não com tristeza nem por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” (II Co9:7) Essa oferta tanto é para ajudar outras pessoas como para manter a igreja física, atualmente. E até por trás da nossa prosperidade, há um propósito de Deus: “Ele fará com quem vocês sejam sempre ricos para que possam dar sempre com generosidade. E assim muitos agradecerão a Deus a oferta que vocês mandam através de nós” (2 Co 9:11). Jesus vem cumprir a lei, o que significa que ele a reforça e expande para fora dos limites do legalismo, valorizando ainda mais o sentido por trás da ação. Dar 10% por obrigação é uma coisa. Dar o que pode por amor e gratidão ao Pai é outra. E esta diferença é tudo.

 

Aqui está só um resuminho, mas é gostoso ler um livro tão simples e prático sobre espiritualidade, recomendo e agradeço ao Marcos Botelho pelo empréstimo!


 

Taciana Trigo

Love Wins

Publicado: agosto 10, 2011 por blogdapresbi em Livros e Cultura
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Rob Bell é um pastor americano, que não tem lá muita cara de pastor. Primeiro, eu vi uns vídeos dele no youtube, sempre no mesmo formato – falando e andando. Para quem tiver a curiosidade, recomendo esse sobre amor – Flame e esse sobre tempestades na nossa vida – Rain (legendados em português).

Depois, fiquei sabendo que ele escrevia e um amigo recomendou esse livro, que só pelo título e subtítulo diz a que veio: “Love Wins – A book about heaven, hell, and the fate of every person who ever lived” algo como “Amor Vence – Um livro sobre o céu (paraíso), inferno, e o destino de toda pessoa que já viveu”.

O autor escreve como se tivesse falando mesmo, frases curtas, simples, às vezes uma palavra em cada linha como se para dar o ritmo da leitura. (Mas eu não tenho certeza se o vocabulário ou os conceitos discutidos sejam tão claros para quem não tem uma familiaridade com as ideias cristãs). Para ter uma ideia: o “trailer” é um trecho do livro.

Rob Bell discute no livro sobre salvação e o que acontecerá depois da nossa morte, e qual é o papel de Deus nisso tudo. Há duas linhas para cada um dos assuntos: alguns vão para o céu e alguns vão para o inferno ou todos vão para o céu no final; Deus é soberano e define quem irá para o céu aceitando a salvação ou então Deus oferece a salvação e as pessoas podem recusar sua vontade. (Ok, estou tentando deixar isso simples, então levem isso em conta).

A doutrina presbiteriana é calvinista e defende a predestinação e a soberania de Deus, ou seja, Deus escolhe algumas pessoas, que receberão a fé para crer na salvação por meio de Jesus Cristo, que é irrecusável. O que o autor apresenta é quase o oposto disso: Deus quer que todas as pessoas sejam salvas, ou vão para o céu, mas a pessoa tem que aceitar. Se ela não quiser, então ela irá para o inferno, independente de qualquer coisa que Ele possa fazer.

Mesmo com entendimentos diferentes da Escritura, há um ponto em comum: a graça. Não há nada que alguém possa fazer para ir para o paraíso. Deus fez todo o trabalho: por meio da morte e ressurreição de Cristo, ele garantiu uma maneira das pessoas “irem para o céu”, ou serem salvas, ou qualquer que seja o termo que você queira usar. Não existe mérito. Existe somente graça, algo que a gente recebe.

Mas mais que isso, o livro deixa claro dois pontos que eu acredito deveras importantes: Não dá para julgar quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Não estamos aqui para isso. Não é trabalho nosso. Quem diz que sabe, está viajando. O segundo ponto é que, mais do que nos preocuparmos com o que vem depois, devemos viver nossa vida se preocupando e agindo para termos o Reino de Deus aqui e agora. Ou seja, trabalharmos pela justiça social, para que todos tenham comida e abrigo, para que o Amor de Deus seja algo real entre as pessoas, entre todas as pessoas.

Eu li este livro no kindle, então não posso emprestar para ninguém… Que droga que não seja permitido emprestar livros digitais!

Taciana Trigo

Azincourt

Publicado: julho 29, 2011 por blogdapresbi em Livros e Cultura
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Bernard Cornwell, o autor desse livro escreve sobre a “idade média” do Reino Unido, quando mal existiam reinos quanto mais unidos! E se você for considerar a perspectiva dele, lá só acontencia guerra! Eu já li vários livros dele, em português e inglês, motivada principalmente por dois bons amigos fãs do autor (e que efetivamente compram os livros!) Esse, especialmente, é sobre uma batalha entre ingleses e franceses, e dada as crueldades de alguns trechos, dá para vislumbrar o ódio que eles sentiam entre si.

 

Porque um dos talentos do Cornwell é descrever batalhas, com riquezas de detalhes, aonde as pessoas andam, quem atira acerta aonde, o que acontece com o elmo, e depois com o crânio, até aparecer o cérebro como uma gosma… Sim, é muito nojento! Mas além disso, nesse livro, tem muitas cenas de torturas e assassinatos de prisioneiros, de estupro e mutilação de mulheres e crianças. É algo terrível de ler. Chega a doer fisicamente só de imaginar.

 

Eu comecei a pensar como o homem pode ser tão cruel. (E é irônico você considerar que tem gente que acredita que o homem “é bom” e que “o ato de ser humano” é ser sensível e caridoso com outras pessoas).
Talvez se você considerar o êxtase da batalha (que é citado muitas vezes), pode falar que matar é a empolgação dos caras. Mas e quando se faz a sangue frio? Não é o “racional”?

 

Eu só posso ficar feliz de viver nessa época, em que a minha aldeia não corre o risco de ser invadida de uma hora por outra e que o melhor que pode acontecer é “morrer rápido”… De qualquer forma, não me iludo, a crueldade humana não mudou em mil anos de “civilização”…

 

(Veja bem, essa é uma resenha um pouco dolorida, mas o livro é bom, a prosa é gostosa de ler, mas ao considerar todos os livros do autor, aí eu recomendo realmente a trilogia do Rei Artur, por exemplo).
Obrigada, Luquinhas, o melhor estagiário fornecedor de livros que já existiu!

 

Taciana Trigo